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Esta história foi patrocinada pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV). O trabalho da Mata N'Ativa é focado em conteúdos de marca que tenham efeitos concretos e verificáveis.

CONTEÚDO DE MARCAGenômica da Biodiversidade Brasileira

Taxonomia e genômica se aliam para desvendar a biodiversidade brasileira

O consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) une a produção de dados genéticos e os conhecimentos taxonômicos para identificar espécies ainda desconhecidas. O conhecimento pode embasar políticas públicas relacionadas à conservação e à bioeconomia.

No Mato Grosso do Sul, entre as rochas alagadas da Gruta do Lago Azul, vive um crustáceo quase invisível ao olho humano.

Sabe-se que ele tem menos de meio centímetro, é transparente, não tem olhos e só existe no subsolo, em ambientes escuros e silenciosos.

Trata-se do Potiicoara brasiliensis.

Ainda há muito a descobrir: trata-se de uma única espécie? Quais são seus parentes mais próximos? Está ameaçado de extinção? São perguntas que o sequenciamento genômico pretende ajudar a responder.

Por que contar essa história é importante?

No Brasil, um dos países mais biodiversos do mundo, ainda há espécies que correm o risco de desaparecer sem nunca terem sido descritas. Essa história mostra como o consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) utiliza ferramentas genômicas para mapear a fauna e a flora e criar subsídios para políticas de conservação.

Parcerias e colaborações

O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) é liderado pelo Instituto Tecnológico Vale e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Participam mais de 300 pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, como a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Pará e a Universidade de Oxford, do Reino Unido, além de centenas de organizações, como o Ibama e a Fiocruz.

Glossário Mata N'Ativa

Trabalhamos pelo acesso ao conhecimento científico. Não deixe de explorar o glossário ao final da história para ter uma maior clareza sobre cada um dos conceitos abordados no texto!

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19/11/2025Texto: Gabriel AlvesIlustrações: Mateus Zanon

Gostamos de dizer que o Brasil é o campeão mundial da biodiversidade. Não se trata de ufanismo, mas de dados. Os biomas do país abrigam cerca de 125 mil espécies identificadas de animais e mais de 50 mil de plantas. Contudo, mesmo em meio a números tão vistosos, nos bastidores da ciência o que prevalece é a incerteza.

Em cada caverna, pedaço de mata ou curso d’água, podem estar ocultas espécies ainda sem descrição. Para piorar, a cada dia, fragmentos de floresta somem, leitos de rios são alterados e ambientes subterrâneos podem deixar de existir antes mesmo de conhecermos sua diversidade biológica.

É nesse contexto que surge uma iniciativa inédita: o Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), uma parceria público-privada entre o Instituto Tecnológico Vale (ITV) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que vai desvendar, por meio de estudos genômicos da fauna e flora brasileiras, parte do que ainda não sabemos. Os resultados podem levar a mudanças efetivas na formulação de políticas públicas relacionadas à conservação e à bioeconomia.

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Sedes dos 14 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio envolvidos no GBB. O consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) conta com o apoio dos 14 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio, que integram o grupo responsável por definir espécies prioritárias para o sequenciamento genômico e selecionar áreas de coleta de amostras em unidades de conservação federais.

À espera de descrição

Há pouco tempo, o biólogo Rodrigo Lopes Ferreira, professor da Universidade Federal de Lavras (MG) e um dos maiores especialistas em animais cavernícolas do país, descobriu em uma caverna no interior da Bahia uma criatura tão antiga quanto inusitada. Parecido à primeira vista com um mero isópode – uma ordem de crustáceo que lembra um “tatuzinho” de jardim – despigmentado e cego, o animal revelou um comportamento nunca antes registrado: construir casulos de barro para se proteger na hora da muda (a troca de exoesqueleto). A descoberta do Iuiuniscus iuiuensis demandou até mesmo a descrição de uma nova subfamília

subfamília

nível intermediário da taxonomia biológica, situado entre a família e o gênero; serve para agrupar gêneros que compartilham características taxonômicas mais próximas entre si

. “Foi a primeira vez que alguém viu um tatuzinho fazendo casa”, diz.

A capacidade de animais pequenos com adaptações extremas para sobreviver no escuro absoluto é tremenda. Quando têm vida exclusivamente dentro das cavernas e outros habitats subterrâneos, são chamados de troglóbios. A cada expedição, são descobertas novas espécies – tantas que há uma fila esperando descrição, revela Ferreira. Muitas delas são microendêmicas, ou seja, restritas a uma única formação subterrânea, o que as torna altamente vulneráveis.

E, sem nome científico, não há reconhecimento legal nem chance de proteção. “Só dá para conservar o que a gente conhece”, ressalta Diego de Medeiros Bento, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV, do ICMBio) e integrante do GBB. Apenas com o reconhecimento da espécie é possível avaliar o risco de extinção, considerando critérios como abundância populacional e distribuição geográfica, e incluí-la em Planos de Ação Nacional de Conservação (PANs), que são instrumentos para orientar políticas públicas.

No sudoeste da Bahia, outra espécie curiosa espera para ter o seu código genético desvendado.

De tão diferente, sua descoberta exigiu a descrição de uma nova subfamília.

O Iuiuniscus iuiuensis é um isópode cego e despigmentado, parente dos tatuzinhos de jardim, com uma característica inédita entre outros bichos do tipo: ele faz casulos para se proteger na hora da muda (troca de exoesqueleto).

Iuiuniscus iuiuensis

O limite das espécies

Afinal, o que define uma espécie? Embora seja um conceito historicamente em debate, uma espécie é, em essência, uma linhagem evolutiva, um conjunto de indivíduos com trajetória compartilhada e identidade própria, diz Taran Grant, biólogo e professor da Universidade de São Paulo. Uma comparação simples, entre cachorros, mostra como a aparência pode ser traiçoeira: um chihuahua e um dogue alemão são radicalmente diferentes em tamanho, cor, forma da orelha e do focinho, por exemplo. No entanto, são todos do mesmo “contínuo”

contínuo

gradiente de variação genética, morfológica ou ecológica entre populações, sem uma separação clara ou abrupta entre elas

Canis lupus familiaris. Eles cruzam entre si e fazem parte de uma linhagem única.

Agora, troque os cachorros por algumas rãzinhas da Mata Atlântica ou por isópodes das cavernas do Brasil. Para o olhar leigo – e muitas vezes até para o especialista – são bichos idênticos. Um exame genético mais profundo, porém, pode revelar que pertencem a linhagens separadas há milhares ou milhões de anos, trilhando caminhos evolutivos completamente distintos. São as chamadas espécies crípticas

espécies crípticas

termo utilizado para descrever duas ou mais espécies que são morfologicamente quase idênticas (parecem iguais ao olho humano ou mesmo ao microscópio), mas que são geneticamente distintas

: organismos que parecem iguais, mas são separados por abismos genéticos invisíveis à análise morfológica tradicional. Elas resultam de um longo período de isolamento sem pressão evolutiva para mudar o corpo por fora, embora não tenham mais quase nada a ver um com o outro.

Como traçar esse limite? O desafio é diferenciar variações dentro da própria espécie (entre populações do mesmo animal) e variações entre espécies distintas. E nem todas as respostas estão nos genes. Muitas dúvidas só a taxonomia

taxonomia

ciência que classifica, nomeia e organiza os seres vivos

é capaz de responder. “A genômica virou uma ferramenta como o microscópio. Ela é poderosa, mas é só mais uma ferramenta. Não substitui o trabalho de descrever, coletar e comparar espécie por espécie”, conta Santelmo Vasconcelos, biólogo e pesquisador do ITV.

Quando se trata da flora, o trabalho exige ainda mais paciência. “A gente precisa ter todas as características: folha, flor e fruto. Se a planta não está no tempo certo do ciclo, não dá para forçar. Algumas são anuais, nascem, florescem e morrem em dois meses. Outras são bianuais, só vão florescer a cada dois anos. E tem as perenes, que ficam escondidas em tubérculos e só voltam a brotar quando chove. Parece que morreram, mas não morreram, estão só esperando o momento certo”, conta Maurício Watanabe, pesquisador do ITV.

Entre 2015 e 2018, a equipe do ITV levantou a flora das cangas de Carajás. Entre as plantas registradas estão espécies emblemáticas como a Ipomoea cavalcantei, conhecida como flor-de-Carajás, e a Ipomoea marabaensis. As duas dividem o mesmo território e chegam a hibridizar naturalmente em algumas áreas, um exemplo de como a natureza não se limita por fronteiras taxonômicas rígidas. “A região ocupa só 1% do Pará, mas concentra 15% da flora do estado. No fim, a gente identificou mais de mil espécies, e 38 delas eram endêmicas [só viviam ali].”

Icone menção

A genômica virou uma ferramenta como o microscópio. Ela é poderosa, mas é só mais uma ferramenta. Não substitui o trabalho de descrever, coletar e comparar espécie por espécie.

Santelmo Vasconcelos, biólogo e pesquisador do ITV

A aplicação dos dados

No Mato Grosso do Sul, entre as rochas alagadas da Gruta do Lago Azul e de outras tantas formações subterrâneas de Bonito, um destino turístico consagrado do país, vive um crustáceo discretíssimo: Potiicoara brasiliensis. Com menos de meio centímetro, transparente e sem olhos, o camarãozinho foi descrito nos anos 1980 e só existe no subsolo, em ambientes escuros e silenciosos, onde a vida avança em câmera lenta. O curioso é que, apesar de já ter sido encontrado em cavernas distantes umas das outras, ninguém sabe ao certo se estamos falando de uma só espécie ou de vários “primos” escondidos, cada um isolado no seu canto. Dessa forma, qualquer alteração na água, por turismo, desmatamento ou poluição, pode ameaçar e eliminar toda uma linhagem única, insubstituível.

É nesse ponto que a genômica populacional entra na roda. A tecnologia permite identificar se populações distantes ainda trocam genes ou se estão isoladas — situações em que linhagens à primeira vista próximas se revelam espécies diferentes. “Se é uma espécie só e está amplamente distribuída, o risco é menor. Mas se são várias populações pequenas e isoladas, a estratégia de conservação tem que ser completamente diferente”, detalha Diego Bento, analista do ICMBio.

E para tomar decisões sólidas, não basta ter acesso a dados genômicos. É preciso interpretá-los. “Na microevolução, você olha para as populações: fluxo de genes, se estão conectadas ou isoladas. Na macroevolução, crucial para a conservação, define-se o que é espécie. Porque é a espécie que a lei protege. Só com o taxonomista, que conhece morfologia, comportamento, história natural, é que dá para interpretar os dados moleculares”, explica o pesquisador Santelmo Vasconcelos.

A urgência da pesquisa

Ao conectar pesquisadores, laboratórios, coleções biológicas e órgãos ambientais, o GBB busca sequenciar genomas completos de espécies prioritárias, muitas delas ameaçadas, pouco conhecidas ou de grande importância ecológica. A ideia é ir além da chamada “fofofauna”, o conjunto de animais mais populares, e abraçar criaturas pouco conhecidas e já em risco, como os transparentes troglóbios. Um dos objetivos concretos do GBB é gerar mitogenomas

mitogenoma

molécula de DNA que fica dentro da mitocôndria

– o DNA das mitocôndrias

mitocôndria

organela da célula que tem como função primária gerar energia, mas que também exerce outras atividades cruciais, como a captação e armazenamento de cálcio

, muito usado para identificar espécies e traçar parentescos evolutivos – de todos os troglóbios ameaçados do país. Estima-se que sejam cerca de 200 espécies nessa condição. Até agora, 60 amostras já foram coletadas e enviadas para análise.

O plano é construir um banco de dados genômico robusto e de acesso público, capaz de identificar espécies crípticas e orientar políticas públicas, além de fomentar inovações em biotecnologia, agricultura e manejo sustentável de recursos naturais. “O Brasil tem um patrimônio genético de valor incrível, pouco explorado economicamente. Com a genômica, podemos melhorar espécies nativas como a mandioca e o açaí, buscando características previsíveis e adaptadas, criando variedades mais produtivas e resistentes”, explica o biólogo Guilherme Oliveira, Diretor Científico do ITV Desenvolvimento Sustentável, no Pará.

Para organizar esse esforço, ITV e ICMBio montaram um grupo de trabalho, com o apoio dos 14 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do órgão federal espalhados pelo Brasil. Organizações como o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade Marinha do Leste (Centro Tamar) e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) são responsáveis por estabelecer as espécies de interesse ao mesmo tempo em que também recebem propostas de pesquisadores.

Entre os genomas de referência

genoma de referência

sequência de DNA que serve como modelo ou padrão para representar o genoma completo de uma espécie, exemplificando sua organização genética; é usado para comparações e análises das variações genéticas entre indivíduos, populações ou espécies

– um mapa completo do código genético em um padrão de alta qualidade – já construídos estão os de animais ameaçados, como a onça-pintada (Panthera onca), a ararajuba (Guaruba guarouba) e o peixe-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis). “A amostra que a gente precisa obter para o genoma deve ser tratada com cuidado extremo desde o momento da coleta, pois a ideia é que aquele indivíduo, naquele sequenciamento, seja a referência para a espécie como um todo”, explica Lilian Bonjorne de Almeida, analista ambiental do ICMBio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP).

No laboratório, o sequenciamento genômico pode ser feito de duas formas: com leituras longas (as chamadas long reads

long reads

o termo, que em português significa leituras longas, refere-se a fragmentos longos de DNA sequenciados de uma só vez, geralmente com mais de 10 mil pares de bases (10 kb), podendo ultrapassar 100 kb

) ou com leituras curtas (short reads

short reads

o termo significa leituras curtas em português e define pequenos fragmentos de DNA sequenciados de uma só vez, geralmente com comprimento entre 50 e 300 pares de bases (pb)

). As long reads, bem mais caras, capturam trechos mais longos de DNA e, na hora de montar o quebra-cabeça, representam peças maiores, que facilitam a montagem do genoma completo. Já as short reads são como bilhões de pequenas peças – fragmentos de DNA de cerca de 300 pares de bases, lidos com altíssima velocidade e precisão. É um método mais barato, ideal para analisar o DNA de dezenas ou centenas de indivíduos ao mesmo tempo.

Um esforço do GBB, por exemplo, foi fazer o genoma populacional

genoma populacional

conjunto de variações genéticas dentro de uma população de organismos; o estudo do genoma populacional examina como o DNA varia entre indivíduos de uma mesma espécie em diferentes locais geográficos, períodos de tempo ou condições ambientais, permitindo o cálculo de importantes parâmetros indicadores do risco de extinção das espécies

– a análise da diversidade de genes de vários indivíduos em uma população – da harpia (Harpia harpyja) e da anta (Tapirus terrestris). “O método nos permite entender a variação genética dentro de uma mesma espécie, saber a diferença entre cada população, se existe isolamento e se houve cruzamento entre espécies distintas, como ocorre, por exemplo, com os híbridos de graxaim (Lycalopex gymnocercus) e raposinha (Lycalopex vetulus)”, diz Almeida.

No caso do gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) ou do gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), o felino mais ameaçado do Brasil, presente apenas no Pampa, a análise por meio de long reads faz toda a diferença. “A gente precisa saber se o animal do Pampa é realmente único ou se ele é igual ao que ocorre em outra região. O genoma de referência, montado com long reads, é o padrão para comparar todos os outros indivíduos. Já com short reads, podemos sequenciar dezenas de gatos e ver se há mistura genética ou não”, completa Almeida.

Além do sequenciamento de genomas individuais, o GBB aposta numa tecnologia-base para conservação em larga escala: o DNA ambiental metabarcoding

dna ambiental metabarcoding

técnica usada para estudar a biodiversidade e comunidades biológicas a partir do DNA presente em amostras ambientais; permite identificar múltiplas espécies ao mesmo tempo

, ou eDNA metabarcoding, com o qual é possível detectar espécies apenas a partir de amostras de água, solo, serrapilheira e até ar.

Um banco genético de referência está em construção e, quanto mais robusto ficar, melhor a tecnologia será aproveitada. Comparando os códigos de barras de DNA e as informações do banco, será possível identificar quais espécies estão presentes nos ambientes. Mesmo sem o banco de referência completo, o eDNA já fornece informações valiosas. Com o uso do conceito de unidades taxonômicas operacionais (OTUs)

unidades taxonômicas operacionais (OTUs)

grupo de sequências de DNA muito parecidas entre si, usado para representar tipos de organismos em uma amostra. Mesmo sem saber o nome da espécie, as OTUs ajudam os cientistas a contar quantas “linhagens” diferentes existem em um lugar e a acompanhar mudanças na biodiversidade ao longo do tempo

, os cientistas conseguem mapear quantas “linhagens” de vida existem em um ambiente – seja numa poça subterrânea em Bonito, seja num igarapé da Amazônia – e monitorar se essas linhagens estão aumentando, diminuindo ou desaparecendo. “Se amanhã uma dessas linhagens sumir da amostra ambiental, é sinal de alerta: alguma coisa mudou, mesmo que a gente ainda não saiba o nome científico daquele organismo”, explica Guilherme Oliveira. Até agora, já foram sequenciadas 432 amostras de eDNA pelo GBB.

A Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã, no Rio Grande do Sul, protege remanescentes do bioma Pampa, um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil.

Nesses campos ocorre um felino raro e dependente de áreas abertas conservadas.

O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai) está classificado como Criticamente em Perigo. Estima-se que menos de 0,73% das áreas consideradas de alta adequabilidade para a espécie estejam protegidas.

Por muito tempo, ele foi confundido com outros gatos-palheiros do complexo Leopardus colocolo. Estudos recentes resolveram essa controvérsia, e iniciativas como o GBB podem tornar essa definição ainda mais robusta para orientar ações de conservação.

Fonte: Nascimento, F. O. D., Cheng, J., & Feijó, A. (2021). Taxonomic revision of the pampas cat Leopardus colocolo complex (Carnivora: Felidae): an integrative approach. Zoological Journal of the Linnean Society, 191(2), 575-611.

Questão de soberania

Ter um banco genético de referência completo, porém, não representa o fim do trabalho. É preciso transformar o código invisível da biodiversidade brasileira numa enciclopédia digital viva, capaz de guiar políticas públicas. “Se a gente tem essa inteligência que nos permite compreender e alterar o mundo tão profundamente, isso não confere à gente uma responsabilidade de proteger as outras espécies, de cuidar desse mundo?”, avalia o professor Taran Grant.

Expandir o conhecimento não significa apenas acumular dados – é um compromisso com a beleza, a ética e a ciência.

As ilustrações desta página são recursos artísticos visuais para fins didáticos e não representam ilustrações científicas.

OUTRAS ESPÉCIES

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GLOSSÁRIO

subfamília

nível intermediário da taxonomia biológica, situado entre a família e o gênero; serve para agrupar gêneros que compartilham características taxonômicas mais próximas entre si

contínuo

gradiente de variação genética, morfológica ou ecológica entre populações, sem uma separação clara ou abrupta entre elas

espécies crípticas

termo utilizado para descrever duas ou mais espécies que são morfologicamente quase idênticas (parecem iguais ao olho humano ou mesmo ao microscópio), mas que são geneticamente distintas

taxonomia

ciência que classifica, nomeia e organiza os seres vivos

morfologia

estudo da forma, estrutura e aparência externa dos seres vivos

mitogenoma

molécula de DNA que fica dentro da mitocôndria

mitocôndria

organela da célula que tem como função primária gerar energia, mas que também exerce outras atividades cruciais, como a captação e armazenamento de cálcio

genoma de referência

sequência de DNA que serve como modelo ou padrão para representar o genoma completo de uma espécie, exemplificando sua organização genética; é usado para comparações e análises das variações genéticas entre indivíduos, populações ou espécies

long reads

o termo, que em português significa leituras longas, refere-se a fragmentos longos de DNA sequenciados de uma só vez, geralmente com mais de 10 mil pares de bases (10 kb), podendo ultrapassar 100 kb

short reads

o termo significa leituras curtas em português e define pequenos fragmentos de DNA sequenciados de uma só vez, geralmente com comprimento entre 50 e 300 pares de bases (pb)

genoma populacional

conjunto de variações genéticas dentro de uma população de organismos; o estudo do genoma populacional examina como o DNA varia entre indivíduos de uma mesma espécie em diferentes locais geográficos, períodos de tempo ou condições ambientais, permitindo o cálculo de importantes parâmetros indicadores do risco de extinção das espécies

dna ambiental metabarcoding

técnica usada para estudar a biodiversidade e comunidades biológicas a partir do DNA presente em amostras ambientais; permite identificar múltiplas espécies ao mesmo tempo

unidades taxonômicas operacionais (OTUs)

grupo de sequências de DNA muito parecidas entre si, usado para representar tipos de organismos em uma amostra. Mesmo sem saber o nome da espécie, as OTUs ajudam os cientistas a contar quantas “linhagens” diferentes existem em um lugar e a acompanhar mudanças na biodiversidade ao longo do tempo

fluxo gênico

ocorre quando indivíduos migram de uma população para outra e, ao se reproduzirem, levam consigo seus genes, misturando o material genético entre os grupos

especiação

processo pelo qual novas espécies surgem a partir de uma população ancestral

sequenciamento Sanger

método desenvolvido por Frederick Sanger em 1977 para determinar a sequência de bases (A, T, C, G) em uma molécula de DNA. Ainda é amplamente utilizado em laboratórios para sequenciar trechos curtos e específicos de DNA com alta precisão, como genes ou regiões de interesse