

Abelhas nativas aumentam a produção do açaí e outros frutos icônicos da Amazônia
Pesquisas do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e instituições parceiras – como CNPq, CAPES e Embrapa – avaliam a influência desses insetos na produção agrícola, suas principais ameaças e a importância das atividades de criação e manejo das abelhas nativas. Os estudos feitos na bacia do rio Itacaiúnas podem indicar caminhos para proteger esses insetos em diversos territórios.
Por que contar esta história é importante?
Um estudo do Instituto Tecnológico Vale (ITV) aponta que o Pará é beneficiado em quase R$ 5,6 bilhões por ano pelos serviços de polinização, o equivalente a um terço da sua produção agrícola. O desmatamento e as mudanças climáticas, porém, colocam as abelhas sob ameaça. Entender esses insetos e os serviços prestados por eles é uma forma de incentivar sua proteção.
Parcerias e colaborações
Os estudos do ITV sobre abelhas e polinização contam com o apoio do CNPq, CAPES e da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas, sendo desenvolvidos no âmbito da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador. Há ainda parceria com a Universidade Federal de Goiás e participação do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Embrapa Amazônia Oriental.
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Trabalhamos pelo acesso ao conhecimento científico. Não deixe de explorar o glossário ao final da história para ter maior clareza sobre cada um dos conceitos abordados no texto!
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Criada pelos avós no Tocantins, quando o estado ainda era parte de Goiás, a agricultora Rosemir Ferreira, a Rose, mudou-se para Parauapebas, na bacia do rio Itacaiúnas, no Pará, ao completar 19 anos. Em muitos sentidos, seria uma mudança transformadora na sua vida. Finalmente a jovem iria morar com os pais, que há tempos ocupavam uma área recebida do Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), órgão federal criado em 1980 pelo governo militar para acelerar e regularizar a ocupação da região.
Os pais de Rose migraram ao Pará com o intuito de assentar-se em uma nova terra e construir um futuro. Apesar de ganharem uma propriedade com mata virgem, a política da época e a necessidade fizeram com que desmatassem a área para plantar culturas temporárias, de ciclo curto, como arroz, milho, mandioca e feijão. Mas o pai, Jorge, sempre nutriu o desejo de reflorestar a fazenda, e se empenhou plantando castanheiras, balateiras (árvore que produz a balata, um tipo de látex) e outras espécies, além de iniciar a criação de abelhas. Aos poucos, esse agroecossistema trouxe a floresta de volta. “Ele argumentava que, se um dia tinha destruído, faria a parte dele ao regenerar”, diz Rose.
Com o legado deixado pelo pai, Rose seguiu o mesmo caminho: a conservação da propriedade e a bioeconomia modelo de desenvolvimento econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicosBioeconomia
Se a produção de mel pela Apis mellifera é mais abundante, as meliponíneas, também conhecidas como abelhas indígenas, destacam-se pelo mel produzido, que apresenta rica diversidade de sabores e alta qualidade gastronômica.
Há ainda outras nuances importantes nos serviços ecossistêmicos – as formas com as quais nos beneficiamos direta ou indiretamente da natureza – prestados pelas abelhas. “A produção de mel geralmente chama mais atenção, mas a contribuição econômica das abelhas como polinizadoras agrícolas tem importância global”, explica a bióloga e ecóloga Tereza Giannini, especialista na análise de biodiversidade e da interação inseto-planta e pesquisadora do ITV.
Criada pelos avós no Tocantins, quando o estado ainda era parte de Goiás, a agricultora Rosemir Ferreira, a Rose, mudou-se para Parauapebas, na bacia do rio Itacaiúnas, no Pará, ao completar 19 anos. Em muitos sentidos, seria uma mudança transformadora na sua vida. Finalmente a jovem iria morar com os pais, que há tempos ocupavam uma área recebida do Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), órgão federal criado em 1980 pelo governo militar para acelerar e regularizar a ocupação da região.
Os pais de Rose migraram ao Pará com o intuito de assentar-se em uma nova terra e construir um futuro. Apesar de ganharem uma propriedade com mata virgem, a política da época e a necessidade fizeram com que desmatassem a área para plantar culturas temporárias, de ciclo curto, como arroz, milho, mandioca e feijão. Mas o pai, Jorge, sempre nutriu o desejo de reflorestar a fazenda, e se empenhou plantando castanheiras, balateiras (árvore que produz a balata, um tipo de látex) e outras espécies, além de iniciar a criação de abelhas. Aos poucos, esse agroecossistema trouxe a floresta de volta. “Ele argumentava que, se um dia tinha destruído, faria a parte dele ao regenerar”, diz Rose.
Com o legado deixado pelo pai, Rose seguiu o mesmo caminho: a conservação da propriedade e a bioeconomia modelo de desenvolvimento econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicosBioeconomia
Se a produção de mel pela Apis mellifera é mais abundante, as meliponíneas, também conhecidas como abelhas indígenas, destacam-se pelo mel produzido, que apresenta rica diversidade de sabores e alta qualidade gastronômica.
Há ainda outras nuances importantes nos serviços ecossistêmicos – as formas com as quais nos beneficiamos direta ou indiretamente da natureza – prestados pelas abelhas. “A produção de mel geralmente chama mais atenção, mas a contribuição econômica das abelhas como polinizadoras agrícolas tem importância global”, explica a bióloga e ecóloga Tereza Giannini, especialista na análise de biodiversidade e da interação inseto-planta e pesquisadora do ITV.






Criada pelos avós no Tocantins, quando o estado ainda era parte de Goiás, a agricultora Rosemir Ferreira, a Rose, mudou-se para Parauapebas, na bacia do rio Itacaiúnas, no Pará, ao completar 19 anos. Em muitos sentidos, seria uma mudança transformadora na sua vida. Finalmente a jovem iria morar com os pais, que há tempos ocupavam uma área recebida do Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), órgão federal criado em 1980 pelo governo militar para acelerar e regularizar a ocupação da região.
Os pais de Rose migraram ao Pará com o intuito de assentar-se em uma nova terra e construir um futuro. Apesar de ganharem uma propriedade com mata virgem, a política da época e a necessidade fizeram com que desmatassem a área para plantar culturas temporárias, de ciclo curto, como arroz, milho, mandioca e feijão. Mas o pai, Jorge, sempre nutriu o desejo de reflorestar a fazenda, e se empenhou plantando castanheiras, balateiras (árvore que produz a balata, um tipo de látex) e outras espécies, além de iniciar a criação de abelhas. Aos poucos, esse agroecossistema trouxe a floresta de volta. “Ele argumentava que, se um dia tinha destruído, faria a parte dele ao regenerar”, diz Rose.

Com o legado deixado pelo pai, Rose seguiu o mesmo caminho: a conservação da propriedade e a bioeconomia modelo de desenvolvimento econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicosBioeconomia
Se a produção de mel pela Apis mellifera é mais abundante, as meliponíneas, também conhecidas como abelhas indígenas, destacam-se pelo mel produzido, que apresenta rica diversidade de sabores e alta qualidade gastronômica.
Há ainda outras nuances importantes nos serviços ecossistêmicos – as formas com as quais nos beneficiamos direta ou indiretamente da natureza – prestados pelas abelhas. “A produção de mel geralmente chama mais atenção, mas a contribuição econômica das abelhas como polinizadoras agrícolas tem importância global”, explica a bióloga e ecóloga Tereza Giannini, especialista na análise de biodiversidade e da interação inseto-planta e pesquisadora do ITV.
Criada pelos avós no Tocantins, quando o estado ainda era parte de Goiás, a agricultora Rosemir Ferreira, a Rose, mudou-se para Parauapebas, na bacia do rio Itacaiúnas, no Pará, ao completar 19 anos. Em muitos sentidos, seria uma mudança transformadora na sua vida. Finalmente a jovem iria morar com os pais, que há tempos ocupavam uma área recebida do Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), órgão federal criado em 1980 pelo governo militar para acelerar e regularizar a ocupação da região.

Os pais de Rose migraram ao Pará com o intuito de assentar-se em uma nova terra e construir um futuro. Apesar de ganharem uma propriedade com mata virgem, a política da época e a necessidade fizeram com que desmatassem a área para plantar culturas temporárias, de ciclo curto, como arroz, milho, mandioca e feijão. Mas o pai, Jorge, sempre nutriu o desejo de reflorestar a fazenda, e se empenhou plantando castanheiras, balateiras (árvore que produz a balata, um tipo de látex) e outras espécies, além de iniciar a criação de abelhas. Aos poucos, esse agroecossistema trouxe a floresta de volta. “Ele argumentava que, se um dia tinha destruído, faria a parte dele ao regenerar”, diz Rose.

Com o legado deixado pelo pai, Rose seguiu o mesmo caminho: a conservação da propriedade e a bioeconomia modelo de desenvolvimento econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicosBioeconomia
Se a produção de mel pela Apis mellifera é mais abundante, as meliponíneas, também conhecidas como abelhas indígenas, destacam-se pelo mel produzido, que apresenta rica diversidade de sabores e alta qualidade gastronômica.
Há ainda outras nuances importantes nos serviços ecossistêmicos – as formas com as quais nos beneficiamos direta ou indiretamente da natureza – prestados pelas abelhas. “A produção de mel geralmente chama mais atenção, mas a contribuição econômica das abelhas como polinizadoras agrícolas tem importância global”, explica a bióloga e ecóloga Tereza Giannini, especialista na análise de biodiversidade e da interação inseto-planta e pesquisadora do ITV.

Ao se alimentar de néctar da flor-de-carajás, a abelha sem ferrão promove a polinização da flora. Esse serviço, o de polinização, contribui com quase R$ 5,6 bilhões por ano para a economia do estado do Pará. FOTO: Miguel Aun
Giannini é uma das autoras de um estudo publicado no periódico científico Neotropical Entomology que quantificou o trabalho das abelhas: o estado do Pará se beneficia em quase R$ 5,6 bilhões por ano dos serviços de polinização, cerca de um terço do total da sua produção agrícola. “Nem todas as plantas produzem flores, mas, das que produzem, especialmente aqui nos trópicos, a maioria precisa de polinizadores. E as abelhas são as mais importantes polinizadoras existentes na natureza.”
Por muito tempo, se acreditou que as palmeiras, como açaí e dendê, eram polinizadas pelo vento. Não era verdade. Estudos mostraram que, no bioma amazônico, o açaí, taperebá, cupuaçu e outras culturas icônicas da floresta têm forte dependência de insetos, como as abelhas – que, diferentemente de outros polinizadores, como besouros e mosquinhas, são passíveis de manejo pelo ser humano.
O trabalho das abelhas sustenta ecossistemas inteiros e garante a diversidade do mundo vegetal. Os insetos fazem o transporte do pólen é a célula reprodutiva masculina das plantas com flor e carrega metade do material genético. Quando o pólen chega ao estigma da flor, germina e dá origem ao tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo. É por meio desse tubo que o núcleo reprodutivo do pólen alcança o óvulo e possibilita a formação da sementePólen
Segundo Giannini, esses insetos são essenciais, inclusive, para manter a identidade cultural de diferentes comunidades. “Fizemos um levantamento de quase 300 plantas usadas por comunidades tradicionais amazônicas e muitas delas dependem das abelhas. O valor dessas espécies de plantas é imenso. E não é só um valor econômico; tem também um alto valor cultural embutido”, explica.
A presença de abelhas nativas, que ocorrem de forma natural no bioma amazônico, revelou-se especialmente relevante em áreas de açaizais. Marcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental, conta que, em um experimento, pesquisadores cultivaram açaí com e sem colônias de abelhas presentes, e considerando a vegetação nativa nas proximidades. O resultado foi claro. “Se há floresta no entorno, o açaizeiro produz até cinco vezes mais do que se está próximo a áreas alteradas. Quando o açaí está perto de trechos sem vegetação nativa, a gente introduz abelhas manejadas e consegue um acréscimo na polinização – mas nunca é igual ao que ocorre perto das florestas. É aí que se vê o valor da mata preservada”, diz Maués.
Jamille Veiga, especialista em comportamento de abelhas e pesquisadora bolsista do ITV, complementa: “As abelhas não polinizam de propósito. São vários indivíduos buscando comida para atender a uma demanda da família, da colônia e, de flor em flor, fazem tantos trajetos e cruzamentos. Com isso, acabam beneficiando as populações de plantas e toda uma cadeia produtiva.” As abelhas nem sempre buscam alimento em apenas uma espécie vegetal. No entanto, a relação é especialmente benéfica para a planta quando se avalia o resultado da polinização.
Giannini é uma das autoras de um estudo publicado no periódico científico Neotropical Entomology que quantificou o trabalho das abelhas: o estado do Pará se beneficia em quase R$ 5,6 bilhões por ano dos serviços de polinização, cerca de um terço do total da sua produção agrícola. “Nem todas as plantas produzem flores, mas, das que produzem, especialmente aqui nos trópicos, a maioria precisa de polinizadores. E as abelhas são as mais importantes polinizadoras existentes na natureza.”
Por muito tempo, se acreditou que as palmeiras, como açaí e dendê, eram polinizadas pelo vento. Não era verdade. Estudos mostraram que, no bioma amazônico, o açaí, taperebá, cupuaçu e outras culturas icônicas da floresta têm forte dependência de insetos, como as abelhas – que, diferentemente de outros polinizadores, como besouros e mosquinhas, são passíveis de manejo pelo ser humano.
O trabalho das abelhas sustenta ecossistemas inteiros e garante a diversidade do mundo vegetal. Os insetos fazem o transporte do pólen é a célula reprodutiva masculina das plantas com flor e carrega metade do material genético. Quando o pólen chega ao estigma da flor, germina e dá origem ao tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo. É por meio desse tubo que o núcleo reprodutivo do pólen alcança o óvulo e possibilita a formação da sementePólen
Segundo Giannini, esses insetos são essenciais, inclusive, para manter a identidade cultural de diferentes comunidades. “Fizemos um levantamento de quase 300 plantas usadas por comunidades tradicionais amazônicas e muitas delas dependem das abelhas. O valor dessas espécies de plantas é imenso. E não é só um valor econômico; tem também um alto valor cultural embutido”, explica.
A presença de abelhas nativas, que ocorrem de forma natural no bioma amazônico, revelou-se especialmente relevante em áreas de açaizais. Marcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental, conta que, em um experimento, pesquisadores cultivaram açaí com e sem colônias de abelhas presentes, e considerando a vegetação nativa nas proximidades. O resultado foi claro. “Se há floresta no entorno, o açaizeiro produz até cinco vezes mais do que se está próximo a áreas alteradas. Quando o açaí está perto de trechos sem vegetação nativa, a gente introduz abelhas manejadas e consegue um acréscimo na polinização – mas nunca é igual ao que ocorre perto das florestas. É aí que se vê o valor da mata preservada”, diz Maués.
Jamille Veiga, especialista em comportamento de abelhas e pesquisadora bolsista do ITV, complementa: “As abelhas não polinizam de propósito. São vários indivíduos buscando comida para atender a uma demanda da família, da colônia e, de flor em flor, fazem tantos trajetos e cruzamentos. Com isso, acabam beneficiando as populações de plantas e toda uma cadeia produtiva.” As abelhas nem sempre buscam alimento em apenas uma espécie vegetal. No entanto, a relação é especialmente benéfica para a planta quando se avalia o resultado da polinização.





Giannini é uma das autoras de um estudo publicado no periódico científico Neotropical Entomology que quantificou o trabalho das abelhas: o estado do Pará se beneficia em quase R$ 5,6 bilhões por ano dos serviços de polinização, cerca de um terço do total da sua produção agrícola. “Nem todas as plantas produzem flores, mas, das que produzem, especialmente aqui nos trópicos, a maioria precisa de polinizadores. E as abelhas são as mais importantes polinizadoras existentes na natureza.”
Por muito tempo, se acreditou que as palmeiras, como açaí e dendê, eram polinizadas pelo vento. Não era verdade. Estudos mostraram que, no bioma amazônico, o açaí, taperebá, cupuaçu e outras culturas icônicas da floresta têm forte dependência de insetos, como as abelhas – que, diferentemente de outros polinizadores, como besouros e mosquinhas, são passíveis de manejo pelo ser humano.
O trabalho das abelhas sustenta ecossistemas inteiros e garante a diversidade do mundo vegetal. Os insetos fazem o transporte do pólen é a célula reprodutiva masculina das plantas com flor e carrega metade do material genético. Quando o pólen chega ao estigma da flor, germina e dá origem ao tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo. É por meio desse tubo que o núcleo reprodutivo do pólen alcança o óvulo e possibilita a formação da sementePólen
Segundo Giannini, esses insetos são essenciais, inclusive, para manter a identidade cultural de diferentes comunidades. “Fizemos um levantamento de quase 300 plantas usadas por comunidades tradicionais amazônicas e muitas delas dependem das abelhas. O valor dessas espécies de plantas é imenso. E não é só um valor econômico; tem também um alto valor cultural embutido”, explica.
A presença de abelhas nativas, que ocorrem de forma natural no bioma amazônico, revelou-se especialmente relevante em áreas de açaizais. Marcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental, conta que, em um experimento, pesquisadores cultivaram açaí com e sem colônias de abelhas presentes, e considerando a vegetação nativa nas proximidades. O resultado foi claro. “Se há floresta no entorno, o açaizeiro produz até cinco vezes mais do que se está próximo a áreas alteradas. Quando o açaí está perto de trechos sem vegetação nativa, a gente introduz abelhas manejadas e consegue um acréscimo na polinização – mas nunca é igual ao que ocorre perto das florestas. É aí que se vê o valor da mata preservada”, diz Maués.
Jamille Veiga, especialista em comportamento de abelhas e pesquisadora bolsista do ITV, complementa: “As abelhas não polinizam de propósito. São vários indivíduos buscando comida para atender a uma demanda da família, da colônia e, de flor em flor, fazem tantos trajetos e cruzamentos. Com isso, acabam beneficiando as populações de plantas e toda uma cadeia produtiva.” As abelhas nem sempre buscam alimento em apenas uma espécie vegetal. No entanto, a relação é especialmente benéfica para a planta quando se avalia o resultado da polinização.
Giannini é uma das autoras de um estudo publicado no periódico científico Neotropical Entomology que quantificou o trabalho das abelhas: o estado do Pará se beneficia em quase R$ 5,6 bilhões por ano dos serviços de polinização, cerca de um terço do total da sua produção agrícola. “Nem todas as plantas produzem flores, mas, das que produzem, especialmente aqui nos trópicos, a maioria precisa de polinizadores. E as abelhas são as mais importantes polinizadoras existentes na natureza.”

Por muito tempo, se acreditou que as palmeiras, como açaí e dendê, eram polinizadas pelo vento. Não era verdade. Estudos mostraram que, no bioma amazônico, o açaí, taperebá, cupuaçu e outras culturas icônicas da floresta têm forte dependência de insetos, como as abelhas – que, diferentemente de outros polinizadores, como besouros e mosquinhas, são passíveis de manejo pelo ser humano.
O trabalho das abelhas sustenta ecossistemas inteiros e garante a diversidade do mundo vegetal. Os insetos fazem o transporte do pólen é a célula reprodutiva masculina das plantas com flor e carrega metade do material genético. Quando o pólen chega ao estigma da flor, germina e dá origem ao tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo. É por meio desse tubo que o núcleo reprodutivo do pólen alcança o óvulo e possibilita a formação da sementePólen
Segundo Giannini, esses insetos são essenciais, inclusive, para manter a identidade cultural de diferentes comunidades. “Fizemos um levantamento de quase 300 plantas usadas por comunidades tradicionais amazônicas e muitas delas dependem das abelhas. O valor dessas espécies de plantas é imenso. E não é só um valor econômico; tem também um alto valor cultural embutido”, explica.
A presença de abelhas nativas, que ocorrem de forma natural no bioma amazônico, revelou-se especialmente relevante em áreas de açaizais. Marcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental, conta que, em um experimento, pesquisadores cultivaram açaí com e sem colônias de abelhas presentes, e considerando a vegetação nativa nas proximidades. O resultado foi claro. “Se há floresta no entorno, o açaizeiro produz até cinco vezes mais do que se está próximo a áreas alteradas. Quando o açaí está perto de trechos sem vegetação nativa, a gente introduz abelhas manejadas e consegue um acréscimo na polinização – mas nunca é igual ao que ocorre perto das florestas. É aí que se vê o valor da mata preservada”, diz Maués.
Jamille Veiga, especialista em comportamento de abelhas e pesquisadora bolsista do ITV, complementa: “As abelhas não polinizam de propósito. São vários indivíduos buscando comida para atender a uma demanda da família, da colônia e, de flor em flor, fazem tantos trajetos e cruzamentos. Com isso, acabam beneficiando as populações de plantas e toda uma cadeia produtiva.” As abelhas nem sempre buscam alimento em apenas uma espécie vegetal. No entanto, a relação é especialmente benéfica para a planta quando se avalia o resultado da polinização.
Na Floresta Nacional de Carajás, pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale identificaram


Uma interação salutar requer uma conjunção de fatores, como tamanho adequado das abelhas em relação às flores preferidas. Também é preciso haver um “encaixe” entre inseto e flor, de modo a permitir a adesão do pólen aos pêlos corporais dos insetos. Ao visitar uma segunda flor da mesma espécie, a abelha toca o estigma, a parte do aparelho reprodutor feminino, transferindo os grãos de pólen e fecundando a flor. É a partir disso que surgirão as sementes e frutos. As abelhas pequenas, como as menores espécies de meliponíneas, dificilmente viajam mais de 1 quilômetro em busca de alimento; já as maiores conseguem ir mais longe.
Entre as mais de 20 mil espécies de abelhas do mundo, 600 pertencem ao grupo das abelhas sem ferrão. Cerca de 50% dessa diversidade foi catalogada no Brasil (mais de 250 espécies), sendo 120 com ocorrência no estado do Pará. Com o objetivo de preservar as meliponíneas e potencializar os serviços ecossistêmicos por elas prestados, o ITV inaugurou a Biofábrica de Abelhas de Carajás, dentro da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, onde a Vale exerce atividade de mineração. “O projeto já resgatou mais de 120 ninhos de 26 espécies de abelhas sem ferrão. Já existiam levantamentos que registravam mais de 80 espécies na Flona de Carajás”, explica Veiga.
Com a ajuda de materiais desenvolvidos pelo ITV (um guia e um curso de resgate e manejo de abelhas sem ferrão), equipes locais foram treinadas para identificar os ninhos em áreas escolhidas para a supressão da vegetação. Trata-se de um trabalho minucioso: o corte da árvore é feito com cuidado, as partes íntegras do ninho são transferidas para uma caixa de manejo e, finalmente, a rainha e todas as abelhas operárias são acomodadas na caixa, que, após a vedação, é transportada até o meliponário da biofábrica, onde as abelhas são mantidas. As colônias podem ser multiplicadas e, posteriormente, distribuídas para criadores da região – caso de Rosemir Ferreira, por exemplo.
“No contexto da meliponicultura, a gente precisa garantir comida, sombra e água fresca para as abelhas. E isso se faz escolhendo uma boa área verde para estabelecer o meliponário (criatório de abelhas sem ferrão). Se não for assim, elas não vão conseguir se manter, mesmo com o manejo. A boa notícia é que quem cria abelhas geralmente tem área verde e se preocupa em cultivar plantas com flores para elas”, explica Veiga. Parte dos ninhos resgatados na Flona de Carajás foi doada a 37 proprietários rurais. As espécies doadas correspondem às mais criadas na região: a canudo-preta (Scaptotrigona spp.) e a uruçu-boca-de-renda (Melipona seminigra).
Aliás, aqui cabe uma curiosidade: muitos nomes populares das espécies de abelhas vêm de suas características e cores, assim como do formato dos ninhos. Boca-de-renda, por exemplo, se justifica pela entrada do túnel do ninho, que tem aspecto de renda. Já o túnel do ninho da abelha canudo-preta se parece com um canudo, ou um cachimbo, um pito. Além do potencial para a produção de tipos de mel de alta qualidade, essas espécies de abelhas sem ferrão poderão incrementar a polinização de diferentes plantas frutíferas tipicamente cultivadas em propriedades rurais da Amazônia, como açaí, cupuaçu, taperebá e jambo.
Uma interação salutar requer uma conjunção de fatores, como tamanho adequado das abelhas em relação às flores preferidas. Também é preciso haver um “encaixe” entre inseto e flor, de modo a permitir a adesão do pólen aos pêlos corporais dos insetos. Ao visitar uma segunda flor da mesma espécie, a abelha toca o estigma, a parte do aparelho reprodutor feminino, transferindo os grãos de pólen e fecundando a flor. É a partir disso que surgirão as sementes e frutos. As abelhas pequenas, como as menores espécies de meliponíneas, dificilmente viajam mais de 1 quilômetro em busca de alimento; já as maiores conseguem ir mais longe.
Entre as mais de 20 mil espécies de abelhas do mundo, 600 pertencem ao grupo das abelhas sem ferrão. Cerca de 50% dessa diversidade foi catalogada no Brasil (mais de 250 espécies), sendo 120 com ocorrência no estado do Pará. Com o objetivo de preservar as meliponíneas e potencializar os serviços ecossistêmicos por elas prestados, o ITV inaugurou a Biofábrica de Abelhas de Carajás, dentro da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, onde a Vale exerce atividade de mineração. “O projeto já resgatou mais de 120 ninhos de 26 espécies de abelhas sem ferrão. Já existiam levantamentos que registravam mais de 80 espécies na Flona de Carajás”, explica Veiga.
Com a ajuda de materiais desenvolvidos pelo ITV (um guia e um curso de resgate e manejo de abelhas sem ferrão), equipes locais foram treinadas para identificar os ninhos em áreas escolhidas para a supressão da vegetação. Trata-se de um trabalho minucioso: o corte da árvore é feito com cuidado, as partes íntegras do ninho são transferidas para uma caixa de manejo e, finalmente, a rainha e todas as abelhas operárias são acomodadas na caixa, que, após a vedação, é transportada até o meliponário da biofábrica, onde as abelhas são mantidas. As colônias podem ser multiplicadas e, posteriormente, distribuídas para criadores da região – caso de Rosemir Ferreira, por exemplo.
“No contexto da meliponicultura, a gente precisa garantir comida, sombra e água fresca para as abelhas. E isso se faz escolhendo uma boa área verde para estabelecer o meliponário (criatório de abelhas sem ferrão). Se não for assim, elas não vão conseguir se manter, mesmo com o manejo. A boa notícia é que quem cria abelhas geralmente tem área verde e se preocupa em cultivar plantas com flores para elas”, explica Veiga. Parte dos ninhos resgatados na Flona de Carajás foi doada a 37 proprietários rurais. As espécies doadas correspondem às mais criadas na região: a canudo-preta (Scaptotrigona spp.) e a uruçu-boca-de-renda (Melipona seminigra).
Aliás, aqui cabe uma curiosidade: muitos nomes populares das espécies de abelhas vêm de suas características e cores, assim como do formato dos ninhos. Boca-de-renda, por exemplo, se justifica pela entrada do túnel do ninho, que tem aspecto de renda. Já o túnel do ninho da abelha canudo-preta se parece com um canudo, ou um cachimbo, um pito. Além do potencial para a produção de tipos de mel de alta qualidade, essas espécies de abelhas sem ferrão poderão incrementar a polinização de diferentes plantas frutíferas tipicamente cultivadas em propriedades rurais da Amazônia, como açaí, cupuaçu, taperebá e jambo.



Uma interação salutar requer uma conjunção de fatores, como tamanho adequado das abelhas em relação às flores preferidas. Também é preciso haver um “encaixe” entre inseto e flor, de modo a permitir a adesão do pólen aos pêlos corporais dos insetos. Ao visitar uma segunda flor da mesma espécie, a abelha toca o estigma, a parte do aparelho reprodutor feminino, transferindo os grãos de pólen e fecundando a flor. É a partir disso que surgirão as sementes e frutos. As abelhas pequenas, como as menores espécies de meliponíneas, dificilmente viajam mais de 1 quilômetro em busca de alimento; já as maiores conseguem ir mais longe.
Entre as mais de 20 mil espécies de abelhas do mundo, 600 pertencem ao grupo das abelhas sem ferrão. Cerca de 50% dessa diversidade foi catalogada no Brasil (mais de 250 espécies), sendo 120 com ocorrência no estado do Pará. Com o objetivo de preservar as meliponíneas e potencializar os serviços ecossistêmicos por elas prestados, o ITV inaugurou a Biofábrica de Abelhas de Carajás, dentro da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, onde a Vale exerce atividade de mineração. “O projeto já resgatou mais de 120 ninhos de 26 espécies de abelhas sem ferrão. Já existiam levantamentos que registravam mais de 80 espécies na Flona de Carajás”, explica Veiga.
Com a ajuda de materiais desenvolvidos pelo ITV (um guia e um curso de resgate e manejo de abelhas sem ferrão), equipes locais foram treinadas para identificar os ninhos em áreas escolhidas para a supressão da vegetação. Trata-se de um trabalho minucioso: o corte da árvore é feito com cuidado, as partes íntegras do ninho são transferidas para uma caixa de manejo e, finalmente, a rainha e todas as abelhas operárias são acomodadas na caixa, que, após a vedação, é transportada até o meliponário da biofábrica, onde as abelhas são mantidas. As colônias podem ser multiplicadas e, posteriormente, distribuídas para criadores da região – caso de Rosemir Ferreira, por exemplo.
“No contexto da meliponicultura, a gente precisa garantir comida, sombra e água fresca para as abelhas. E isso se faz escolhendo uma boa área verde para estabelecer o meliponário (criatório de abelhas sem ferrão). Se não for assim, elas não vão conseguir se manter, mesmo com o manejo. A boa notícia é que quem cria abelhas geralmente tem área verde e se preocupa em cultivar plantas com flores para elas”, explica Veiga. Parte dos ninhos resgatados na Flona de Carajás foi doada a 37 proprietários rurais. As espécies doadas correspondem às mais criadas na região: a canudo-preta (Scaptotrigona spp.) e a uruçu-boca-de-renda (Melipona seminigra).
Aliás, aqui cabe uma curiosidade: muitos nomes populares das espécies de abelhas vêm de suas características e cores, assim como do formato dos ninhos. Boca-de-renda, por exemplo, se justifica pela entrada do túnel do ninho, que tem aspecto de renda. Já o túnel do ninho da abelha canudo-preta se parece com um canudo, ou um cachimbo, um pito. Além do potencial para a produção de tipos de mel de alta qualidade, essas espécies de abelhas sem ferrão poderão incrementar a polinização de diferentes plantas frutíferas tipicamente cultivadas em propriedades rurais da Amazônia, como açaí, cupuaçu, taperebá e jambo.
Uma interação salutar requer uma conjunção de fatores, como tamanho adequado das abelhas em relação às flores preferidas. Também é preciso haver um “encaixe” entre inseto e flor, de modo a permitir a adesão do pólen aos pêlos corporais dos insetos. Ao visitar uma segunda flor da mesma espécie, a abelha toca o estigma, a parte do aparelho reprodutor feminino, transferindo os grãos de pólen e fecundando a flor. É a partir disso que surgirão as sementes e frutos. As abelhas pequenas, como as menores espécies de meliponíneas, dificilmente viajam mais de 1 quilômetro em busca de alimento; já as maiores conseguem ir mais longe.

Entre as mais de 20 mil espécies de abelhas do mundo, 600 pertencem ao grupo das abelhas sem ferrão. Cerca de 50% dessa diversidade foi catalogada no Brasil (mais de 250 espécies), sendo 120 com ocorrência no estado do Pará. Com o objetivo de preservar as meliponíneas e potencializar os serviços ecossistêmicos por elas prestados, o ITV inaugurou a Biofábrica de Abelhas de Carajás, dentro da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, onde a Vale exerce atividade de mineração. “O projeto já resgatou mais de 120 ninhos de 26 espécies de abelhas sem ferrão. Já existiam levantamentos que registravam mais de 80 espécies na Flona de Carajás”, explica Veiga.
Com a ajuda de materiais desenvolvidos pelo ITV (um guia e um curso de resgate e manejo de abelhas sem ferrão), equipes locais foram treinadas para identificar os ninhos em áreas escolhidas para a supressão da vegetação. Trata-se de um trabalho minucioso: o corte da árvore é feito com cuidado, as partes íntegras do ninho são transferidas para uma caixa de manejo e, finalmente, a rainha e todas as abelhas operárias são acomodadas na caixa, que, após a vedação, é transportada até o meliponário da biofábrica, onde as abelhas são mantidas. As colônias podem ser multiplicadas e, posteriormente, distribuídas para criadores da região – caso de Rosemir Ferreira, por exemplo.
“No contexto da meliponicultura, a gente precisa garantir comida, sombra e água fresca para as abelhas. E isso se faz escolhendo uma boa área verde para estabelecer o meliponário (criatório de abelhas sem ferrão). Se não for assim, elas não vão conseguir se manter, mesmo com o manejo. A boa notícia é que quem cria abelhas geralmente tem área verde e se preocupa em cultivar plantas com flores para elas”, explica Veiga. Parte dos ninhos resgatados na Flona de Carajás foi doada a 37 proprietários rurais. As espécies doadas correspondem às mais criadas na região: a canudo-preta (Scaptotrigona spp.) e a uruçu-boca-de-renda (Melipona seminigra).
Aliás, aqui cabe uma curiosidade: muitos nomes populares das espécies de abelhas vêm de suas características e cores, assim como do formato dos ninhos. Boca-de-renda, por exemplo, se justifica pela entrada do túnel do ninho, que tem aspecto de renda. Já o túnel do ninho da abelha canudo-preta se parece com um canudo, ou um cachimbo, um pito. Além do potencial para a produção de tipos de mel de alta qualidade, essas espécies de abelhas sem ferrão poderão incrementar a polinização de diferentes plantas frutíferas tipicamente cultivadas em propriedades rurais da Amazônia, como açaí, cupuaçu, taperebá e jambo.

Biofábrica de Abelhas Indígenas de Carajás abriga 110 das 244 espécies de abelhas nativas já catalogadas no Brasil. FOTO: Instituto Tecnológico Vale
Novas e antigas ameaças à floresta

Novas e antigas ameaças à floresta
Apesar das inúmeras interações de polinização e da diversidade das abelhas, uma combinação ameaçadora paira sobre os insetos. “Nossos estudos mostram que, com as mudanças climáticas e o desmatamento, os habitats das abelhas no Norte do Brasil poderão encolher. Esses cenários futuros são preocupantes pois, se as abelhas diminuem, o sistema agrícola e até a economia local poderão ser afetados. Por isso, estamos focando agora em entender melhor esse impacto e as possíveis soluções”, diz Giannini.
“Nossas abelhas tropicais têm um desafio: elas conseguem lidar com uma variação de temperatura dentro de um intervalo ótimo [o período no qual as funções como reprodução e a busca por comida apresentam um auge de desempenho. Se a temperatura se distancia desse intervalo, essa eficiência cai, podendo provocar a morte dos insetos]. Mas os picos de calor que estão ocorrendo têm provocado bastante estresse nas colônias, com perda de indivíduos”, explica Felipe Contrera, biólogo estudioso do comportamento de abelhas sem ferrão e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
À frente da marca Ké Mel, Rosemir Ferreira conta que, em 2023, foram coletadas 5 toneladas de mel, completamente vendidas no comércio local. Mas, em 2024, 80% das abelhas morreram, e a produção despencou. Entre as causas do fenômeno, ela também inclui o uso de agrotóxicos em terras vizinhas, as queimadas e o ataque de animais silvestres, como quatis e tamanduás. Contra os predadores foi possível colocar telas, mas, com relação aos demais problemas, depende-se de mudanças na conduta das pessoas.
“A prática do fogo e do veneno, feita por pessoas sem consciência, está nos afetando muito. A gente já acionou a prefeitura e outros órgãos para que nos ajudem nesse debate, senão os nossos polinizadores vão deixar de existir”, diz. Outro desafio na meliponicultura, conta Rose, é a perda de enxames por ataques de uma abelha sem ferrão específica: a abelha-limão (Lestrimelitta limao). “Não sei se foi a falta de alimento no campo ou por causa da aplicação dos venenos. A briga entre elas foi grande.”
Com clima favorável e uma recuperação da vegetação local, a expectativa seria, em 2025, de uma colheita recorde na Ké Mel, que não deve acontecer. “Havia uma meta de colher 6 toneladas, mas infelizmente não vamos alcançar diante dessa perda nos enxames. Talvez a gente chegue a 3 toneladas.”
Além de ampliar a produção, Rose e família pretendem certificar o mel, para que o produto alcance novos mercados. “Sonhamos em colocar o mel na merenda escolar”, diz ela. Em paralelo, a criadora quer intensificar o trabalho com o turismo rural, mostrando para estudantes e visitantes como funciona a produção de mel. A casa toda está envolvida no projeto. João, o filho mais velho, faz ensino médio integrado com agroindústria. “O que eu falo pra ele é que ele vá, estude, e volte pra base, que foi o que eu fiz.”
Apesar das inúmeras interações de polinização e da diversidade das abelhas, uma combinação ameaçadora paira sobre os insetos. “Nossos estudos mostram que, com as mudanças climáticas e o desmatamento, os habitats das abelhas no Norte do Brasil poderão encolher. Esses cenários futuros são preocupantes pois, se as abelhas diminuem, o sistema agrícola e até a economia local poderão ser afetados. Por isso, estamos focando agora em entender melhor esse impacto e as possíveis soluções”, diz Giannini.
“Nossas abelhas tropicais têm um desafio: elas conseguem lidar com uma variação de temperatura dentro de um intervalo ótimo [o período no qual as funções como reprodução e a busca por comida apresentam um auge de desempenho. Se a temperatura se distancia desse intervalo, essa eficiência cai, podendo provocar a morte dos insetos]. Mas os picos de calor que estão ocorrendo têm provocado bastante estresse nas colônias, com perda de indivíduos”, explica Felipe Contrera, biólogo estudioso do comportamento de abelhas sem ferrão e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
À frente da marca Ké Mel, Rosemir Ferreira conta que, em 2023, foram coletadas 5 toneladas de mel, completamente vendidas no comércio local. Mas, em 2024, 80% das abelhas morreram, e a produção despencou. Entre as causas do fenômeno, ela também inclui o uso de agrotóxicos em terras vizinhas, as queimadas e o ataque de animais silvestres, como quatis e tamanduás. Contra os predadores foi possível colocar telas, mas, com relação aos demais problemas, depende-se de mudanças na conduta das pessoas.
“A prática do fogo e do veneno, feita por pessoas sem consciência, está nos afetando muito. A gente já acionou a prefeitura e outros órgãos para que nos ajudem nesse debate, senão os nossos polinizadores vão deixar de existir”, diz. Outro desafio na meliponicultura, conta Rose, é a perda de enxames por ataques de uma abelha sem ferrão específica: a abelha-limão (Lestrimelitta limao). “Não sei se foi a falta de alimento no campo ou por causa da aplicação dos venenos. A briga entre elas foi grande.”
Com clima favorável e uma recuperação da vegetação local, a expectativa seria, em 2025, de uma colheita recorde na Ké Mel, que não deve acontecer. “Havia uma meta de colher 6 toneladas, mas infelizmente não vamos alcançar diante dessa perda nos enxames. Talvez a gente chegue a 3 toneladas.”
Além de ampliar a produção, Rose e família pretendem certificar o mel, para que o produto alcance novos mercados. “Sonhamos em colocar o mel na merenda escolar”, diz ela. Em paralelo, a criadora quer intensificar o trabalho com o turismo rural, mostrando para estudantes e visitantes como funciona a produção de mel. A casa toda está envolvida no projeto. João, o filho mais velho, faz ensino médio integrado com agroindústria. “O que eu falo pra ele é que ele vá, estude, e volte pra base, que foi o que eu fiz.”





Novas e antigas ameaças à floresta

Apesar das inúmeras interações de polinização e da diversidade das abelhas, uma combinação ameaçadora paira sobre os insetos. “Nossos estudos mostram que, com as mudanças climáticas e o desmatamento, os habitats das abelhas no Norte do Brasil poderão encolher. Esses cenários futuros são preocupantes pois, se as abelhas diminuem, o sistema agrícola e até a economia local poderão ser afetados. Por isso, estamos focando agora em entender melhor esse impacto e as possíveis soluções”, diz Giannini.
“Nossas abelhas tropicais têm um desafio: elas conseguem lidar com uma variação de temperatura dentro de um intervalo ótimo [o período no qual as funções como reprodução e a busca por comida apresentam um auge de desempenho. Se a temperatura se distancia desse intervalo, essa eficiência cai, podendo provocar a morte dos insetos]. Mas os picos de calor que estão ocorrendo têm provocado bastante estresse nas colônias, com perda de indivíduos”, explica Felipe Contrera, biólogo estudioso do comportamento de abelhas sem ferrão e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
À frente da marca Ké Mel, Rosemir Ferreira conta que, em 2023, foram coletadas 5 toneladas de mel, completamente vendidas no comércio local. Mas, em 2024, 80% das abelhas morreram, e a produção despencou. Entre as causas do fenômeno, ela também inclui o uso de agrotóxicos em terras vizinhas, as queimadas e o ataque de animais silvestres, como quatis e tamanduás. Contra os predadores foi possível colocar telas, mas, com relação aos demais problemas, depende-se de mudanças na conduta das pessoas.

“A prática do fogo e do veneno, feita por pessoas sem consciência, está nos afetando muito. A gente já acionou a prefeitura e outros órgãos para que nos ajudem nesse debate, senão os nossos polinizadores vão deixar de existir”, diz. Outro desafio na meliponicultura, conta Rose, é a perda de enxames por ataques de uma abelha sem ferrão específica: a abelha-limão (Lestrimelitta limao). “Não sei se foi a falta de alimento no campo ou por causa da aplicação dos venenos. A briga entre elas foi grande.”
Com clima favorável e uma recuperação da vegetação local, a expectativa seria, em 2025, de uma colheita recorde na Ké Mel, que não deve acontecer. “Havia uma meta de colher 6 toneladas, mas infelizmente não vamos alcançar diante dessa perda nos enxames. Talvez a gente chegue a 3 toneladas.”
Além de ampliar a produção, Rose e família pretendem certificar o mel, para que o produto alcance novos mercados. “Sonhamos em colocar o mel na merenda escolar”, diz ela. Em paralelo, a criadora quer intensificar o trabalho com o turismo rural, mostrando para estudantes e visitantes como funciona a produção de mel. A casa toda está envolvida no projeto. João, o filho mais velho, faz ensino médio integrado com agroindústria. “O que eu falo pra ele é que ele vá, estude, e volte pra base, que foi o que eu fiz.”
Novas e antigas ameaças à floresta
Apesar das inúmeras interações de polinização e da diversidade das abelhas, uma combinação ameaçadora paira sobre os insetos. “Nossos estudos mostram que, com as mudanças climáticas e o desmatamento, os habitats das abelhas no Norte do Brasil poderão encolher. Esses cenários futuros são preocupantes pois, se as abelhas diminuem, o sistema agrícola e até a economia local poderão ser afetados. Por isso, estamos focando agora em entender melhor esse impacto e as possíveis soluções”, diz Giannini.

“Nossas abelhas tropicais têm um desafio: elas conseguem lidar com uma variação de temperatura dentro de um intervalo ótimo [o período no qual as funções como reprodução e a busca por comida apresentam um auge de desempenho. Se a temperatura se distancia desse intervalo, essa eficiência cai, podendo provocar a morte dos insetos]. Mas os picos de calor que estão ocorrendo têm provocado bastante estresse nas colônias, com perda de indivíduos”, explica Felipe Contrera, biólogo estudioso do comportamento de abelhas sem ferrão e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
À frente da marca Ké Mel, Rosemir Ferreira conta que, em 2023, foram coletadas 5 toneladas de mel, completamente vendidas no comércio local. Mas, em 2024, 80% das abelhas morreram, e a produção despencou. Entre as causas do fenômeno, ela também inclui o uso de agrotóxicos em terras vizinhas, as queimadas e o ataque de animais silvestres, como quatis e tamanduás. Contra os predadores foi possível colocar telas, mas, com relação aos demais problemas, depende-se de mudanças na conduta das pessoas.
“A prática do fogo e do veneno, feita por pessoas sem consciência, está nos afetando muito. A gente já acionou a prefeitura e outros órgãos para que nos ajudem nesse debate, senão os nossos polinizadores vão deixar de existir”, diz. Outro desafio na meliponicultura, conta Rose, é a perda de enxames por ataques de uma abelha sem ferrão específica: a abelha-limão (Lestrimelitta limao). “Não sei se foi a falta de alimento no campo ou por causa da aplicação dos venenos. A briga entre elas foi grande.”

Com clima favorável e uma recuperação da vegetação local, a expectativa seria, em 2025, de uma colheita recorde na Ké Mel, que não deve acontecer. “Havia uma meta de colher 6 toneladas, mas infelizmente não vamos alcançar diante dessa perda nos enxames. Talvez a gente chegue a 3 toneladas.”
Além de ampliar a produção, Rose e família pretendem certificar o mel, para que o produto alcance novos mercados. “Sonhamos em colocar o mel na merenda escolar”, diz ela. Em paralelo, a criadora quer intensificar o trabalho com o turismo rural, mostrando para estudantes e visitantes como funciona a produção de mel. A casa toda está envolvida no projeto. João, o filho mais velho, faz ensino médio integrado com agroindústria. “O que eu falo pra ele é que ele vá, estude, e volte pra base, que foi o que eu fiz.”
Doces insetos de um mundo biodiverso

Doces insetos de um mundo biodiverso
O universo das abelhas ostenta diversidade não apenas em espécies, mas também em comportamentos. Na organização dos ninhos – como em troncos de árvores e barrancos de barro –, alguns parecem milimetricamente planejados, simétricos, enquanto outros são apenas amontoados de câmaras.
A maioria das abelhas não é social, vive sozinha e assume todo o trabalho para a sua sobrevivência e a de seus descendentes. As abelhas solitárias são fundamentais para a economia, já que são polinizadoras efetivas de muitas culturas agrícolas brasileiras. Um exemplo economicamente importante são as mamangavas, abelhas grandes, cujo tamanho corporal pode chegar a 4 centímetros de comprimento. Elas são especialistas na polinização de castanheiras e maracujazeiros. Uma fêmea sozinha pode estabelecer seu ninho, botar os ovos e sair em busca do néctar e do pólen.
É bem diferente das tribos Apini (produtoras de mel com ferrão) e Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), que apresentam uma organização social complexa. Nestes casos, a rainha é basicamente uma máquina de botar ovos – e só faz isso. Entre a maioria das espécies de abelhas sem ferrão, a definição sobre quem vai ser rainha ou operária tem tudo a ver com a quantidade de alimento que recebe antes do início do desenvolvimento. Para essas abelhas, a matemática é bastante simples: alvéolos pequena cavidade de cera, feita por abelhas operárias; um conjunto de alvéolos dá origem ao favo; no caso das Apini (produtoras de mel com ferrão), serve para armazenar mel, pólen e abrigar indivíduos em desenvolvimento; já nas Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), serve apenas ao abrigo de indivíduos em desenvolvimento; o mel e o pólen ficam nos chamados potesAlvéolo
Como uma colônia, que chega a ter milhares de indivíduos, organiza as tarefas de cada um no dia a dia? Algo como uma coordenação bioquímica pode entrar em ação. No caso das operárias, algumas espécies de abelhas utilizam trilhas de cheiro, de feromônios substâncias químicas produzidas e liberadas por um ser vivo que provocam uma resposta comportamental ou fisiológica em outros indivíduos da mesma espécieFeromônios
Pensando nas dificuldades que as colônias podem enfrentar, como a falta de alimento, o biólogo e seus orientandos estão testando um suplemento com potencial para substituir o pólen, utilizando soja fermentada. Ele garante que a iguaria tem boa aceitação. “É uma boa fonte de proteínas para as abelhas”, observa Felipe. O pesquisador estuda também o tamanho de colônias, usando técnicas curiosas como um aspirador que suga os indivíduos, mas não os machuca, a fim de estimar o número de abelhas que uma colônia tem que ter para ser considerada saudável e quanto de alimento ela precisa para se manter assim, dando subsídio para a criação por agricultores.
De acordo com as projeções de um estudo dos pesquisadores do ITV, publicado pela Regional Environmental Change, apenas uma pequena fração – entre 4% e 15% – das 216 espécies de abelhas avaliadas irá encontrar áreas climaticamente adequadas no estado do Pará já na segunda metade deste século devido às mudanças climáticas. Ou seja, a partir de agora, toda ajuda da ciência será bem-vinda para as abelhas.
As ilustrações desta página são recursos artísticos visuais para fins didáticos e não representam ilustrações científicas.
O universo das abelhas ostenta diversidade não apenas em espécies, mas também em comportamentos. Na organização dos ninhos – como em troncos de árvores e barrancos de barro –, alguns parecem milimetricamente planejados, simétricos, enquanto outros são apenas amontoados de câmaras.
A maioria das abelhas não é social, vive sozinha e assume todo o trabalho para a sua sobrevivência e a de seus descendentes. As abelhas solitárias são fundamentais para a economia, já que são polinizadoras efetivas de muitas culturas agrícolas brasileiras. Um exemplo economicamente importante são as mamangavas, abelhas grandes, cujo tamanho corporal pode chegar a 4 centímetros de comprimento. Elas são especialistas na polinização de castanheiras e maracujazeiros. Uma fêmea sozinha pode estabelecer seu ninho, botar os ovos e sair em busca do néctar e do pólen.
É bem diferente das tribos Apini (produtoras de mel com ferrão) e Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), que apresentam uma organização social complexa. Nestes casos, a rainha é basicamente uma máquina de botar ovos – e só faz isso. Entre a maioria das espécies de abelhas sem ferrão, a definição sobre quem vai ser rainha ou operária tem tudo a ver com a quantidade de alimento que recebe antes do início do desenvolvimento. Para essas abelhas, a matemática é bastante simples: alvéolos pequena cavidade de cera, feita por abelhas operárias; um conjunto de alvéolos dá origem ao favo; no caso das Apini (produtoras de mel com ferrão), serve para armazenar mel, pólen e abrigar indivíduos em desenvolvimento; já nas Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), serve apenas ao abrigo de indivíduos em desenvolvimento; o mel e o pólen ficam nos chamados potesAlvéolo
Como uma colônia, que chega a ter milhares de indivíduos, organiza as tarefas de cada um no dia a dia? Algo como uma coordenação bioquímica pode entrar em ação. No caso das operárias, algumas espécies de abelhas utilizam trilhas de cheiro, de feromônios substâncias químicas produzidas e liberadas por um ser vivo que provocam uma resposta comportamental ou fisiológica em outros indivíduos da mesma espécieFeromônios
Pensando nas dificuldades que as colônias podem enfrentar, como a falta de alimento, o biólogo e seus orientandos estão testando um suplemento com potencial para substituir o pólen, utilizando soja fermentada. Ele garante que a iguaria tem boa aceitação. “É uma boa fonte de proteínas para as abelhas”, observa Felipe. O pesquisador estuda também o tamanho de colônias, usando técnicas curiosas como um aspirador que suga os indivíduos, mas não os machuca, a fim de estimar o número de abelhas que uma colônia tem que ter para ser considerada saudável e quanto de alimento ela precisa para se manter assim, dando subsídio para a criação por agricultores.
De acordo com as projeções de um estudo dos pesquisadores do ITV, publicado pela Regional Environmental Change, apenas uma pequena fração – entre 4% e 15% – das 216 espécies de abelhas avaliadas irá encontrar áreas climaticamente adequadas no estado do Pará já na segunda metade deste século devido às mudanças climáticas. Ou seja, a partir de agora, toda ajuda da ciência será bem-vinda para as abelhas.
As ilustrações desta página são recursos artísticos visuais para fins didáticos e não representam ilustrações científicas.





Doces insetos de um mundo biodiverso

O universo das abelhas ostenta diversidade não apenas em espécies, mas também em comportamentos. Na organização dos ninhos – como em troncos de árvores e barrancos de barro –, alguns parecem milimetricamente planejados, simétricos, enquanto outros são apenas amontoados de câmaras.
A maioria das abelhas não é social, vive sozinha e assume todo o trabalho para a sua sobrevivência e a de seus descendentes. As abelhas solitárias são fundamentais para a economia, já que são polinizadoras efetivas de muitas culturas agrícolas brasileiras. Um exemplo economicamente importante são as mamangavas, abelhas grandes, cujo tamanho corporal pode chegar a 4 centímetros de comprimento. Elas são especialistas na polinização de castanheiras e maracujazeiros. Uma fêmea sozinha pode estabelecer seu ninho, botar os ovos e sair em busca do néctar e do pólen.
É bem diferente das tribos Apini (produtoras de mel com ferrão) e Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), que apresentam uma organização social complexa. Nestes casos, a rainha é basicamente uma máquina de botar ovos – e só faz isso. Entre a maioria das espécies de abelhas sem ferrão, a definição sobre quem vai ser rainha ou operária tem tudo a ver com a quantidade de alimento que recebe antes do início do desenvolvimento. Para essas abelhas, a matemática é bastante simples: alvéolos pequena cavidade de cera, feita por abelhas operárias; um conjunto de alvéolos dá origem ao favo; no caso das Apini (produtoras de mel com ferrão), serve para armazenar mel, pólen e abrigar indivíduos em desenvolvimento; já nas Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), serve apenas ao abrigo de indivíduos em desenvolvimento; o mel e o pólen ficam nos chamados potesAlvéolo

Como uma colônia, que chega a ter milhares de indivíduos, organiza as tarefas de cada um no dia a dia? Algo como uma coordenação bioquímica pode entrar em ação. No caso das operárias, algumas espécies de abelhas utilizam trilhas de cheiro, de feromônios substâncias químicas produzidas e liberadas por um ser vivo que provocam uma resposta comportamental ou fisiológica em outros indivíduos da mesma espécieFeromônios
Pensando nas dificuldades que as colônias podem enfrentar, como a falta de alimento, o biólogo e seus orientandos estão testando um suplemento com potencial para substituir o pólen, utilizando soja fermentada. Ele garante que a iguaria tem boa aceitação. “É uma boa fonte de proteínas para as abelhas”, observa Felipe. O pesquisador estuda também o tamanho de colônias, usando técnicas curiosas como um aspirador que suga os indivíduos, mas não os machuca, a fim de estimar o número de abelhas que uma colônia tem que ter para ser considerada saudável e quanto de alimento ela precisa para se manter assim, dando subsídio para a criação por agricultores.
De acordo com as projeções de um estudo dos pesquisadores do ITV, publicado pela Regional Environmental Change, apenas uma pequena fração – entre 4% e 15% – das 216 espécies de abelhas avaliadas irá encontrar áreas climaticamente adequadas no estado do Pará já na segunda metade deste século devido às mudanças climáticas. Ou seja, a partir de agora, toda ajuda da ciência será bem-vinda para as abelhas.
As ilustrações desta página são recursos artísticos visuais para fins didáticos e não representam ilustrações científicas.
Doces insetos de um mundo biodiverso
O universo das abelhas ostenta diversidade não apenas em espécies, mas também em comportamentos. Na organização dos ninhos – como em troncos de árvores e barrancos de barro –, alguns parecem milimetricamente planejados, simétricos, enquanto outros são apenas amontoados de câmaras.

A maioria das abelhas não é social, vive sozinha e assume todo o trabalho para a sua sobrevivência e a de seus descendentes. As abelhas solitárias são fundamentais para a economia, já que são polinizadoras efetivas de muitas culturas agrícolas brasileiras. Um exemplo economicamente importante são as mamangavas, abelhas grandes, cujo tamanho corporal pode chegar a 4 centímetros de comprimento. Elas são especialistas na polinização de castanheiras e maracujazeiros. Uma fêmea sozinha pode estabelecer seu ninho, botar os ovos e sair em busca do néctar e do pólen.
É bem diferente das tribos Apini (produtoras de mel com ferrão) e Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), que apresentam uma organização social complexa. Nestes casos, a rainha é basicamente uma máquina de botar ovos – e só faz isso. Entre a maioria das espécies de abelhas sem ferrão, a definição sobre quem vai ser rainha ou operária tem tudo a ver com a quantidade de alimento que recebe antes do início do desenvolvimento. Para essas abelhas, a matemática é bastante simples: alvéolos pequena cavidade de cera, feita por abelhas operárias; um conjunto de alvéolos dá origem ao favo; no caso das Apini (produtoras de mel com ferrão), serve para armazenar mel, pólen e abrigar indivíduos em desenvolvimento; já nas Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), serve apenas ao abrigo de indivíduos em desenvolvimento; o mel e o pólen ficam nos chamados potesAlvéolo
Como uma colônia, que chega a ter milhares de indivíduos, organiza as tarefas de cada um no dia a dia? Algo como uma coordenação bioquímica pode entrar em ação. No caso das operárias, algumas espécies de abelhas utilizam trilhas de cheiro, de feromônios substâncias químicas produzidas e liberadas por um ser vivo que provocam uma resposta comportamental ou fisiológica em outros indivíduos da mesma espécieFeromônios

Pensando nas dificuldades que as colônias podem enfrentar, como a falta de alimento, o biólogo e seus orientandos estão testando um suplemento com potencial para substituir o pólen, utilizando soja fermentada. Ele garante que a iguaria tem boa aceitação. “É uma boa fonte de proteínas para as abelhas”, observa Felipe. O pesquisador estuda também o tamanho de colônias, usando técnicas curiosas como um aspirador que suga os indivíduos, mas não os machuca, a fim de estimar o número de abelhas que uma colônia tem que ter para ser considerada saudável e quanto de alimento ela precisa para se manter assim, dando subsídio para a criação por agricultores.
De acordo com as projeções de um estudo dos pesquisadores do ITV, publicado pela Regional Environmental Change, apenas uma pequena fração – entre 4% e 15% – das 216 espécies de abelhas avaliadas irá encontrar áreas climaticamente adequadas no estado do Pará já na segunda metade deste século devido às mudanças climáticas. Ou seja, a partir de agora, toda ajuda da ciência será bem-vinda para as abelhas.
As ilustrações desta página são recursos artísticos visuais para fins didáticos e não representam ilustrações científicas.
GLOSSÁRIO
Bioeconomia
modelo de desenvolvimento econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicos
Pólen
é a célula reprodutiva masculina das plantas com flor e carrega metade do material genético. Quando o pólen chega ao estigma da flor, germina e dá origem ao tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo. É por meio desse tubo que o núcleo reprodutivo do pólen alcança o óvulo e possibilita a formação da semente
Exoesqueleto
estrutura externa que serve como suporte e proteção de alguns animais invertebrados, como insetos e aracnídeos
Alvéolo
pequena cavidade de cera, feita por abelhas operárias; um conjunto de alvéolos dá origem ao favo; no caso das Apini (produtoras de mel com ferrão), serve para armazenar mel, pólen e abrigar indivíduos em desenvolvimento; já nas Meliponini (produtoras de mel sem ferrão), serve apenas ao abrigo de indivíduos em desenvolvimento; o mel e o pólen ficam nos chamados potes
Feromônios
substâncias químicas produzidas e liberadas por um ser vivo que provocam uma resposta comportamental ou fisiológica em outros indivíduos da mesma espécie
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